Acredite em você!

No meu ensino fundamental, nunca fui um aluno exemplar. Na verdade eu não sabia nem o que era estudar, para começo de conversa. Eu apenas copiava o que o professor passava, pegava as resposta do colega ao lado e ganhava o visto. 

Em casa, eu só pegava no caderno quando era véspera de provas, e era pegar mesmo, pois não passava de 20 minutos com o caderno na mão. 

Eu sempre fui aquele aluno que todos sabiam que era o mais desprovido de inteligência. Tanto pela falta de dedicação quanto pela conspiração. 

Mas, em um Sarau, tudo mudou. 

Eu sempre gostei de literatura, de escrever, desenvolver textos e de gibis. 

E foi por esse gosto que tomei coragem e decidir declamar um poema na escola que eu estudava na época, CEMEAS.

Quando foi me passado o poema, de Vinicius de Moraes, Soneto de separação, eu realmente não tinha entendido nada. Mas eu sempre fui um menino muito dedicado, disposto a aprender e a concluir com sucesso o que era me solicitado. Eu tinha duas semanas para decorar o poema, em menos de uma, eu já sabia ele por completo. Eu gravava eu declamando e escutava a minha gravação. 

Eu estava seguro de mim mesmo, mas eu tinha um problema que me sufocava: o nervosismo. 

Creio que despertei esse sentimento pelo fato da minha indisciplina no ensino fundamental, pela falta de apresentações de trabalhos, pela comunicação escassa, e pelo medo do público. 

Chegou o grande dia. Todos que estudavam na escola estavam no auditório, esperando para que as apresentações começassem. 

Então foi nesse momento que meu coração começou a acelerar. Agora, eu não queria mais apresentar. 

Descobrir que não era apenas eu que tinha ficado com o soneto de separação, mas também, umas outras três pessoas. 

Reparei que todos que apresentaram erravam ou dessitiam, pelo nervosismo. 

Emfim, chegou minha vez de fazer a apresentação. Eu estava confiante, aliás, eu me dediquei e estudei para dar o meu melhor. 

Subi no palco. Fitei o público por alguns segundos e comecei a declamar: 


De repente do riso fez-se o pranto 

Silencioso e branco como a bruma 

E das bocas unidas fez-se a espuma 

E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 


De repente da calma fez-se o vento 

Que dos olhos desfez a última chama 

E da paixão fez-se o pressentimento 

E do momento imóvel fez-se o drama. 


De repente, não mais que de repente 

Fez-se de triste o que se fez amante 

E de sozinho o que se fez contente. 


Fez-se do amigo próximo o distante 

Fez-se da vida uma aventura errante 

De repente, não mais que de repente.


Terminei o poema e todos estavam me aplaudindo. Fui recebido pelos professores com abraços e parabéns. Eu conseguir. Eu realmente conseguir. 

Foi graças a esse poema, a minha dedicação e força de vontade que eu descobrir que eu era capaz de fazer qualquer coisa. 

Começaram as provas da última unidade e eu resolvi me dedicar o máximo possível. Estudei e passei em quase todas, menos em duas. Foi um vitória, para uma pessoa que ficava em recuperação em todas as matérias. 

Depois das provas, recebi um convite da diretora, dizendo que eu iria apresentar na praça da prefeitura. Fiquei nervoso, mas resolvi encarar. 

No dia da apresentação eu fiquei doente, mas isso não me impediu de ir ao meu compromisso. Declamei o poema com outro menino, e todos gostaram. 

Passei a acreditar em mim mesmo quando todos acreditaram. 

Passei a acreditar em mim mesmo. 

Passei a acreditar. 

Acreditar. 

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