Pitangas

Hoje vejo o tempo passar e as lembranças, a mente lançar. 

Não lembro minha idade, mas lembro que era incrível. Acho que eu tinha uns 06 anos na época, talvez mais novo, talvez mais velho. Nunca fui bom com datas, mas eu lembro das pitangas. 

Praticamente eu e minha família vivíamos na casa da minha avó, que agora é apenas do meu avô. Era algo legal. Sabe como é, casa de vó, toda família reunida, unida. É algo que eu sinto falta, que quando me lembro, os olhos enchem de água. 

Na sala de aula, quando a minha professora de português comentava de um livro que falava sobre morte, ela se emocionou ao lembrar de um ente querido, e na certa, os meus olhos também transbordaram com a lembrança da minha avó. Mano, ela era praticamente a minha segunda mãe. Eu amava ficar no colo dela; de assistir com ela; de sentir o cheiro dela; de cuidar, com ela, de suas plantas. Eu gostava da forma que ela me fazia feliz. Eu gostava da forma que ela fazia todas pessoas felizes. Acho que minha mãe ficou com essa característica dela. 

Infelizmente, ela se foi quando eu estava em outra cidade, São Paulo. Não foi fácil para minha mãe, acho que não foi fácil pra ninguém. 

Me recordo, com lucidez, das pitangas. 

Tinha um pé de pitanga no quintal dos meus avós, e era a fruta que eu mais amava na vida. Ainda gosto muito, mas não é como antes. Não sinto mais a sensação que sentia ao tirar uma pitanga do pé; não sinto mais a sensação de quando meus avós me chamavam quando avistavam uma pitanga madura.

O pé de pitanga, talvez não exista mais. Não pelo fato de ele ser arrancado, mas sim de ter morrido pra mim. 

Ainda gosto da fruta, mas eu sei que ela não tem o mesmo sabor que tinha antes. 

Você ainda me faz feliz. Sempre quando olho para Dona Maria e cumprimento-a, uma amiga da minha avó, eu lembro dela, sorrindo, na "porta da rua".

Lembranças. 

-Darlan Aguiar




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