Qual profissão escolheu você?

Durante muitos anos, muitos mesmo, eu creditei a minha biografia a três ou quatro “sobrenomes” de veículos de mídia pelos quais passei. As duas emissoras de rádio ainda existem e, merecidamente, bombam a audiência misturando jornalismo, esporte, opinião, entretenimento e serviço – uma fórmula que, se bem executada, convenhamos, costuma ser infalível.

Os jornais impressos, infelizmente, não sobreviveram às transformações dos nossos tempos. Claro que culpar o digital seria injusto. Havia muito mais coisa envolvida, mas esse é um assunto para outra conversa.

Fato é que minha memória afetiva para o trabalho sempre foi muito curta, como costuma ser quando a gente “adultiza”. Fiquei tão preso de 1997 para cá, que somente neste ano resgatei o porquê decidi cursar jornalismo.

Como puxar pela memória um tempo bem anterior a um período da vida que só resgatei neste ano (e que já tinha mais de 20 anos)? Recuar quase quatro décadas?


Consegui.

Embora eu ouvisse rádio AM desde muito cedo, com 11 anos, escondido no quarto, foi antes, aos oito, que criei meu primeiro jornal, com título, cabeçalho, desenhos e pequenas histórias escritas à mão.

Descia com meu pai ao xerox rodar cópias que colava no elevador e paredes do prédio onde eu morava, na Bela Vista, em São Paulo.

Veja que a ideia de dar à luz projetos autorais em comunicação começou em 1981, muito antes de cursar jornalismo (1994) e quase três décadas antes de montar minha agência (2010). É inegável, portanto, que uma semente fora plantada ali.


Atendimento e vendas

Foi no prédio onde eu passei minha primeira infância, que tomei gosto por outras vertentes presentes hoje na minha rotina: vendas e atendimento. Minha irmã mais nova e eu curtíamos montar bazares dentro do apartamento, vendendo, adivinhe, produtos que minha mãe não queria mais (ou que a convencíamos a não querer mais).

Lembro-me de comprar luzes de Natal para espalhar pelo quarto escuro, de posicionar produtos, borrifar perfume pelo ar e colocar etiquetas com preços.

Horas antes, passávamos de porta em porta chamando cada vizinho para subir em horário pré-determinado. (Era ou não era um profissional?)

Curiosamente, esses resgates afetivos têm vindo agora, passando (bem) dos 40 anos. Talvez por ter chegado à paternidade, talvez não.

Mas fica evidente para mim que muitos dos caminhos que a gente imagina escolher na vida, na verdade, é que nos escolhem. E cedo.

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